PSICOSSOMA
FÁBULAS FANTÁSTICAS

Jesus e Crista

1

Já eram três e meia da tarde, quando Crista voltou ao seu apartamento.

Ela queria tomar um banho rápido, ainda antes que escurecesse, - em uma meia hora mais ou menos, agora na época de Natal. Depois ela iria ao "Shirocco-Café" para se encontrar com os amigos e, para ver o Homem.

Quintas-feiras às quatro e meia, um horário um pouco inusitado para pessoas normais, que trabalham para ganhar o seu sustento. Mas, era bom assim mesmo, que ela não pertencia mais aos "direitos". Uma sensação de alivio misturava-se com um vestígio de melancolia.

Ana tinha dito, que ela viria, em todo caso. Ela tentaria trazer também Puram, o seu amigo.

As duas mulheres se conheciam do seu lugarejo natal. Apesar de elas não terem sido amigas íntimas naquela época, enquanto adolescentes, elas se entendiam muito bem agora, depois de ter se encontrado novamente, morando na capital. Semelhanças na condução da vida tinham juntado-as e criado um elo, apesar de uma certa diferença de idade.

Crista era de boa família, de pais acadêmicos, Advogado de Direito o pai. A mãe, sempre cuidando da reputação da família, era conhecida publicamente por causa do seu ambicioso engajamento social.

Ana, porem, já tinha começado a fumar cedo, quase criança ainda, depois que o pai tinha deixado a casa para sempre. Com quatorze anos de idade, no penúltimo ano do primeiro grau, ela tinha tido algum envolvimento com um dos seus professores. Ninguém sabia nada de exato a respeito. Para ela, aquilo tinha sido uma paixão. Depois de o caso ter ficado notório, ela foi expulsa da escola, "por falha moral". Com quinze ela tinha dado à luz o seu pequeno filho, que então tinha ficado com a sua avó, enquanto ela, por motivos sociais, não podia mais ser vista naquele lugar.

Mais tarde, o mesmo professor tinha deitado os seus sementes também em Crista, que disto fez a sua ocasião de duvidar abertamente dos bons conselhos dos pais comedidos, preocupados e bem-intencionados.

Na Capital elas tinham-se re-encontrado, uns anos mais tarde, no meio social "elevado", junto aos homens, pela saúde da humanidade e pela verdade, com "recompensa" e prazer:
Ana, principalmente por causa do seu filho, com um desejo sincero de poder dar-lhe, um dia, a experiência de ter uma vida segura, até família, quem saberia.

Crista, mais pelo prazer dos sentidos e a favor da descoberta do próprio porvir , pois nada existiria, se não fosse desejado e criado para ser….

As duas amigas eram jovens e bonitas, donas de uma força de atração pessoal, que não era somente de caráter sensual. Elas tinham algo especial, enigmático, magnético, o que naquela época já tinha atraído o professor e que agora era a base para o seu meio de vida.

No entanto, os poucos anos de peregrinação tinham deixado as têmporas de Ana com os primeiros vestígios, quase invisíveis ainda, desta vida: como se ela tivesse exposto demasiadamente o seu rosto virado ao contravento, a pele levemente de-sensibilizada e endurecida.

As duas moravam no centro da cidade, no mesmo apart-hotel, no segundo e no quarto andar, com serviço de quarto.

2

Ana trouxe Puram, para que ele visse o Homem também.

Puram era amigo, amante e protetor. "Gigolô", quando ela o xingava. Ele era Croata, sem rituais. O que o ligava a Ana, era aquilo, o enigmático.

Puram sempre tinha sentido esta atração por Ana e da mesma maneira por Crista, sua amiga, como todos os outros homens. Era do ofício. O que fazia ele ser especial para Ana era, que ele as vezes chorava, sem motivo aparente.

Puram era um homem cujos hormônios saltavam em evidencia.

Na época da guerra na Iugoslávia ele tinha deixado a família, - uma menina, um menino e a sua mulher, para procurar a sorte no estrangeiro e, também, para mandar dinheiro aos seus.

Na Alemanha ele tinha encontrado Ana. Graças a Ana ele pude mandar dinheiro, pelo menos de vez em quando.

Puram tinha poucos ideais, nenhuma moral, nenhum sentimento romântico, - o que ele mais tinha, era um rudimentar código de honra. Lá, da onde veio, era-se muito realista. Era-se alegre, quando se tinha motivo para tanto, quando tinha nada para comer, se era faminto. Tendências sentimentais tinham que ser racionalizadas. Uma mulher tinha que ser comprada, seja pelo momento só ou pela vida inteira. Ninguém era melhor do que realmente era. Os instintos eram fortes. A palavra "Amor" pertencia somente ao vocabulário teórico ampliado, sem aplicação direta à vida.

Na proximidade de Ana ele se sentia bem. Ela era boa para ele e sabia de que jeito ele gostava das coisas. E ela cuidava dos rendimentos, sem criar despesas nem novos dependentes.

Antes que Puram, acompanhado por Ana e Crista podia empurrar a porta de abano do "Shirocco-Café", ele deu um largo sorriso. Era esta a sua expressão de felicidade. Normalmente, Puram era sério. Hoje ele era alegre e bem disposto, o que, como ele sentia, veio pelo contágio das duas amigas.

3

Música e vozes emaranhadas receberam os três.

O "Shirocco-Café" era um local grande, não taverna, não discoteca, nem bar. Havia um balcão comprido e muitas mesas e cadeiras, forro de fórmica com desenho de madeira revestindo as paredes. Onde as altas janelas ficaram parcialmente abertas para a calçada, pesadas cortinas mantinham de fora o frio invernal e natalino.

Os estrangeiros gostavam de vir aqui, justamente porque o local não tinha um caráter definido, era culturalmente neutro e sem o mofo das tradições. Muito espaço, ventiladores de teto, preços justos, luz florescente e atendimento atencioso, só garçons, nada de fräuleins. O proprietário era turco, o gerente cubano, tocava-se muito a música das Arábias. As vezes, alguém jogava uma moeda na velha máquina toca-discos para evocar qualquer canção antiga de renome internacional. Um local para se encontrar, conversar, até para comer algo. Nos fundos do espaço subia um palco, uma tela grande esticada.

Muitos idiomas, as roupas relaxadas, as vezes pobres e gastas, varias mulheres nos trajes dos paises da sua origem.

Um local ecumênico.

E também estava presente o Homem.

Fazia poucos dias só, que ele foi visto por aqui pela primeira vez. Ele não buscava contato e também não foi importunado. Ele ficava só na mesa. As cadeiras da sua proximidade imediata costumavam ficar vazias, como se tivesse-se formando uma zona imperceptível, um campo magnético peculiar.

Após alguns dias frequentando o Café, sem que alguém pudesse explicar porque, ele tinha se tornado o centro secreto da atenção geral. Os gestos e as expressões dos presentes, que conversavam e se divertiam em pequenos grupos, ganharam um novo e adicional endereço, havia um sentido ampliado no que comunicavam entre si. Um elo invisível estabelecia-se com o centro daquela zona. Todos continuavam a se dedicar aos seus respectivos assuntos e todos tinham ganho um interlocutor atencioso e silencioso, sem que isto tivesse ficado óbvio ou notório de alguma forma. Mas, as conversas ganharam vivacidade, argumentava-se com mais emoção, relaxavam-se as posturas corporais. Via-se mãos em rápido contato não intencional, afastando uma poeira do paletó, ou ajeitando uma mexa no cabelo do próximo, sinais de afeto ...

Maravilhosamente, precisava-se de menos palavras, e mesmo assim se compreendia-se melhor. As pessoas tornavam-se mais compreensivas e receptivas através do sexto sentido acordado e das janelas abertas da alma e do Amor.

Os três acharam uma vaga no balcão e pediram café-moca com anis. Isto estimulava. O local estava bem lotado agora, já no fim da tarde, por pessoas que tinham tempo ou uma certa disponibilidade para com os acontecimentos em geral. Agora, na época de Natal, quando fazia frio abaixo de zero e o dia escurecia cedo, ia-se ao "Shirocco-Bar" já de tarde, também para economizar um pouco de aquecimento em casa.

4

Hoje o Homem vestia uma jaqueta, tecido de lã de ovelha de cor natural, por cima de uma outra peça, que era, visto pela bainha da manga, uma camisa oriental. Cabelo escuro cheio, ondulado e desordenado, e uma barba com fios brancos emolduraram o rosto e o olhar calmo de uma pessoa experiente de vida, no meio dos trinta. Uma bengala com maçaneta de raiz erguia-se entre os seus joelhos. "Provavelmente um Curdo, agora, que tantos fugiam de lá".

Assim ele estava sentado na sua mesa, sem copo, sem prato, só ou aparentemente só, pois nada indicava que ele não se sentisse bem ou, que ele estivesse esperando por algo ou alguém. Paz irradiava dele, calma interior transparecia, uma serenidade silenciosa. Ana tinha uma grande vontade de chegar perto.

Quando ele se levantava para alcançar, por entre as mesas, a saída, Crista apanhou uma vista dos seus pés, nus em sandálias grossas de couro.

Lá fora jazia uma alta camada de neve recém caída, debaixo do gelo da noite….

Logo após, também os três amigos deixaram o local, pois não havia mais motivo de demorar-se por mais tempo no "Shirocco-Bar". Já era noite e cada um devia ter seguido os seus afazeres de rotina. Mas, hoje eles não se separaram. Eles queriam ficar juntos na vibração daquilo que os unia, sem que eles estivessem cientes disto.

Eles tinham visto ele lá, sentado, no seu silêncio, na sua paz, na sua sobriedade, no seu centramento, na sua "nudez". Ele tinha transmitido a eles, como a todos os outros, uma sensação intensa e enigmática de felicidade sem causa.

Eles não conseguiam desviar os seus sentimentos daquela experiência, superficialmente vista tão banal.

Eles foram comer pizza no "Italiano", depois pegaram um táxi para o apartamento de Crista, onde assistiram um filme de TV sobre um amor romântico de adolescentes na Mongólia e as últimas noticias sobre violência e morte múltipla no Oriente Médio.

Depois eles adormeceram, juntos na mesma cama, em profunda paz, sem sonhos, três amigos unidos por uma ruptura na realidade comum.

Amanhã seria o dia de Natal.

A Ordem Cósmica  
A Verdade Proibida  
O Afeto, Traição e Auto-estima  
O que fazer com os loucos?  
Proteção contra energias negativas  
O Aspecto Espiritual da Sexualidade  
Inocência e Celibato  
Terapia Espiritual  
O que é Psicoterapia Holística  
Disciplinas selecionadas para a Psicoterapia Holística  
A Espiritualidade na Acupuntura  
Acupuntura e Consciência  
Acupuntura para Estressados  
Tratamento do Vício pela Acupuntura  
Vidas Passadas  
Vidas Futuras  
Noções básicas sobre a Terapia de Vidas Passadas  
Bioenergética Sutil
Annette
Joana
Marlí
O Bispo  
Jesus e Crista  
Sem Palavras  
Veja e saiba mais