PSICOSSOMA
INOCÊNCIA E CELIBATO

Há duas formas de celibato: o celibato antes da perda da inocência e o celibato depois do ganho da consciência.

Temos sete portas, na sabedoria oriental chamadas de "chácras", de comunicação e contato, disponíveis ao homem. Este conjunto de "dispositivos energéticos" pode ser considerado próprio para a atividade de comunicação e inter-relação, sentido básico da nossa vida, que é, em termos globais, um entrelaçamento de energias individuais. Este intercâmbio, seja ele físico ou sutil, ocorre entre os humanos e também com os animais e vegetais, como com toda a vida no universo. Ele, sendo natural e espontâneo, é percebido pelo homem quando hão nele evoluídas a consciência e sensibilidade.

Constituimo-nos, fisiológicamente, da alquimia freqüencial de sete chácras principais, portas de comunicação energética, com cujas propriedades vibracionais o nosso organismo, corpo e alma, se constrói e interage com o ambiente. Os chácras básicos, "sexual", "hara" e "solar" operam com freqüências mais baixas, correspondendo à densidade física do nosso corpo e às suas respectivas necessidades e atividades. Os chácras superiores, "coração", "garganta" e "testa", são ligados às emoções, sentidos e pensamentos. O sétimo chácra, o "coronário" no alto da cabeça, estabelece a inter-relação do indivíduo com a dimensão espiritual elevada e divina.

O universo espiritual "inferior", o patamar dos desencarnados comuns, influi e contribui à consciência humana com as qualidades emocionais e intelectuais destes desencarnados, trazendo os seus estágios de evolução moral e ética peculiares. A dimensão divina, espiritual "superior", abrange e alimenta a todos os seres e formas da manifestação, sendo ela a matriz de tudo, que existe, transcendente também ao Ego humano.

Contudo, a questão central deste ensaio, que trata da origem do eterno conflito do homem com si próprio e com o seu ambiente natural e social, é o Ego, que está ligado à posse, à quantidade e à exploração, visando o prazer pessoal em detrimento da bem-aventurança de todos.

Este conflito, e com ele todo o sofrimento humano, surgiu com a ascendência do Ego a partir do "caso da maçã entre Eva e Adão", representando simbolicamente a busca do prazer em desrespeito aos desígnios da natureza divina, onde tudo deveria orquestrar-se para a celebração da existência, sem os privilégios individuais de conhecimento, sem "posse, poder e prazer".

A inocência perdeu-se, quando os três p's começaram a tomar conta da consciência do Ego, quando o Ego começou a busca-los como usuário, desfrutador e manipulador, perdendo-se assim o contexto fisiológico com a natureza divina e da procriação natural das espécies, que é o seu principal sentido, regido pela matriz universal, pelos planetas, estações, hormônios e instintos.

O prazer sexual ganhou, preponderantemente, uma índole egóica-mental, incorporou a dúvida, a cobiça e a excitação frenética. Ele tornou-se uma ferramenta do poder, da exploração alheia e de auto-afirmação. Ele vinculou-se ao comercio e à neurose e, inclusive, acabou sujeito à rejeição, se tornando um império de infra-estrutura incerta para a mente, quando desacalentada do coração.

Somos seres humanos, somos híbridos e consciencialmente confusos, divididos entre espírito e matéria. Somos esquizofrênicos praticantes. Vivemos no deserto espiritual enquanto a consciência egóica define a realidade como sendo dividida, enquanto separamos conceitualmente o palpável-físico do não-palpável-sutil.

Existencialmente, foi criada a alma individual com o surgimento do Ego. Retornaremos à bem-aventurança divina somente depois de termos alcançado uma consciência holística, abrangente e transpessoal, que geraria o discernimento necessário para com as atitudes egóicas em nos mesmos e nos outros, habilitando-nos, desta maneira, a abstrair-nos da abordagem materialista e a fluir com a existência, recebendo, então, o enlevo da inocência.

"Ciência", "noção" e "não" são os radicais etimológicos da palavra "inocência", que é o termo "fio vermelho" deste ensaio. É, como se a inocência fosse um estado de genuinidade original, não ciente ainda de si, se situando antes do surgimento da intelectualidade e da divisão em bem e mal, físico e sutil, Deus e homem. O estado moral do homem, anterior ao acontecimento do "pecado original" era "celibatário" no sentido, de que a atividade sexual era correspondente a vida fisiológica natural de manutenção e procriação da espécie, comparável com beber e comer, tomar sol e banhar-se, que são expressões de vida prazerosas por si, enquanto protegidas pela inocência. A partir da busca consciente destas sensações, tirando-as do seu contexto natural, aparecem todos os infortúnios ligados a elas, como a ansiedade, a frustração, a violência, a perda, a comparação, a competição e a conquista.

Parece haver um dispositivo na matriz divina original, para que o homem fosse o agente do progresso. Ele parece ser predestinado a fazer o "trabalho sujo" da creação, entrar no vale das sombras, dúvidas, ambições, cobiças e decepções, sendo ele também o desenvolvedor das tecnologias de índole duvidosa em relação à felicidade do homem, criando os opostos e os conflitos na sua mente irrequieta. A sua meta pessoal é o discernimento analítico podendo ser usado como ferramenta do poder, mas, em consequência natural existencial, segue-se, segundo o relato de quem já passou por tudo isto, a renuncia a todo tipo de conquista e bem estar, que pudesse ter sido galgado em detrimento da felicidade alheia.

É difícil imaginar que o homem fosse condenado eternamente a esta condição da divisão interior para desempenhar o papel de ajudante de Deus nos porões da manifestação, na nossa dimensão. Parece-me ser a sua tarefa de contribuir pelo seu desvio egóico e científico para o desenvolvimento da manifestação, o próprio Deus em ação. Depois da missão cumprida, é lhe prometido, pelos profetas, que re-encontraria-se com a sua matriz geradora na união mística, no samadhi da iluminação, experimentado e relatado por quem já cumpriu a sua incumbência e absolveu-se da sua condição do ser humano em evolução.

Porem, a verdadeira tragédia acontece quando o homem, durante a sua excursão evolucionária involuntária, se apega às meias verdades e meias felicidades do seu Ego, compreendendo-os como frutos do seu esforço e da sua conquista, inalienáveis e incompartilháveis, sem levar em conta de que tudo foi dado a ele pelo Grande Plano e que a sua verdadeira índole é ser Deus por ser filho de Deus, ao mesmo momento, pai e filho de todas as criaturas.

Depois do auferimento da consciência espiritual máxima, o celibato significa o retorno ao "paraíso", à condição natural da alma em inocência. Celibato, no meu uso da palavra, não quer significar a abstenção penosa e sofrida dos prazeres físicos com as suas intrínsecas contradições e sensações conflitantes, mas a volta a um fluir existencial, sem o envolvimento da ambição e da cupidez do Ego, o que pode, mas não precisa necessariamente, resultar numa abstenção sexual natural pela transcendência da necessidade de participar ativamente da procriação da espécie e da quantificação dos prazeres experimentados.

O celibato é uma condição santa, a qual se chega ou naturalmente, no final da excursão pela condição humana, por se ter cumprido o Karma e ter vivido como filho de Deus, ou pelo esgotamento dos respectivos hormônios na idade avançada. Neste sentido, o ciclo pequeno de uma encarnação humana é indicativo para o ciclo grande do êxodo e do retorno de um ser humano à sua origem divina.

Como um simples sentar-se em posição de Lotus, por si só, não vai resultar numa maior paz interior e muito menos em iluminação, assim, também, o celibato forçado não trará benefícios evolutivos, mas um atraso da evolução tanto em termos individuais quanto geral, por estarem sendo enfatizados critérios impróprios e meramente figurativos.

A meta é viver intensamente, com equilíbrio e harmonia interiores e exteriores, com todo o corpo e toda a alma, para auferir experiência e lapidar a consciência, colocando em vibração todos os centros vitais do nosso organismo, - que são os acima mencionados chácras, do sexual até o espiritual -, prestigiando o coração como a estação central do nosso organismo físico e espiritual.

O prêmio a ser recebido será uma relação harmoniosa consigo próprio e com os próximos, conforme os desígnios eternos do Amor Maior.

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